Archive for the Libretos category

Os poemas das Quatro Estações de Vivaldi

posted by Marcio Rosa in Libretos, Violino

Uma das outras pesquisas colocadas a semana passada dizia respeito aos poemas associados a cada uma das quatro estações de Vivaldi. Originalmente cada um dos quatro concertos de Vivaldi continha um poema que normalmente era lido antes do concerto se iniciar. Esta prática foi-se perdendo no entanto é justo considerar que estes fazem parte integrante da obra.

Podem encontrar os poemas nestes posts: Primavera, Verão, Outono, Inverno .

Carmina Burana

posted by Marcio Rosa in Libretos

Carmina Burana é uma cantata cênica de poesias latinas medievais, pretendida para ser representada e dançada, posta sobre textos em baixo latim e baixo alemão, os quais foram extraídos de uma colocação de duzentas peças poéticas diversas compiladas pelo final do século XIII.

A palavra Carmina é o plural de Carmen (em português, Canção). O título inteiro significa literalmente: Canções dos Beurens; esta última palavra se refere ao fato de que os textos escolhidos para esta cantata secular foram descobertos em 1803 em um velho mosteiro beneditino da Baviera, em Benediktbeuren, no sudoeste da Alemanha.

Esta cantata é emoldurada por um símbolo da Antigüidade, o conceito da Roda da Fortuna, eternamente girando, trazendo alternadamente boa e má sorte. É uma parábola da vida humana exposta a constante mudança. E assim o apelo em coral à Deusa da Fortuna (O Fortuna, Velut Luna) tanto introduz quanto conclui a obra, que se divide em três seções: o encontro do Homem com a Natureza, particularmente com a Natureza despertando na primavera (Veris eta facies). Seu encontro com os dons da Natureza, culminando com o dom do vinho (In taberna); e seu encontro com o Amor (Amor volat undique).

A maioria dos mais de duzentos poemas sacros e seculares remonta ao século XIII e foi escrita por um grupo profano de errantes chamados Goliardos. Estes monges e menestréis desgarrados passavam o seu tempo deliciando-se com os prazeres da carne e os poemas que eles deixaram, faziam a crônica de suas obsessões por vezes ao ponto da obscenidade.

Este manuscrito abrange todos os gêneros, de versificação erudita à paródias de textos sacros, incluindo canções de amor e melodias irreverentes e até grosseiras. O fato de que o texto original destes Poemas de Benediktbeuren seja executada hoje em dia com tão extraordinário sucesso artístico, permite ao ouvinte discernir ainda melhor as intenções de Orff onde sua música não se expressa claramente.

Como uma antologia, Carmina Burana apresenta tudo o que o mundo cristão entre os séculos XI e XII fora capaz de exprimir. Aquela época não foi secionada como a nossa, nem inibida pelos nossos tabus. Assim, os autores anônimos dessas saturnálias escritas não temiam espalhar a chama incandescida pelo contato inesperado de uma melodia litúrgica e uma blasfêmia, mais precisamente um priapismo verbal, ou inversamente de uma nova melodia profana e uma profissão de fé.

Neste sentido, a coleção original restaura para nós, todo um cosmo onde o Bem não existe sem o Mal, o sacro sem o profano e a fé sem maldições e dúvidas: a oscilação onde se encontra a grandeza da Humanidade.

A dialética freudiana foi necessária para a redescoberta deste humanismo medieval até então considerada bárbara e cruel; uma vitalidade que permitiu ao homem sobreviver ao sofrimento da guerra, o mundo infestado pela praga em que ele era submetido à injustiça, à instabilidade, e mantido na ignorância de tudo que não fosse santificado pelo dogma. Sabemos que insultos dirigidos contra a autoridade, palavras ofensivas e blasfêmias que temperavam de maneira acre a expressão dessa energia vital eram herdadas do mundo antigo e chegaram ao começo do renascimento na tradição dos Carnavais e Triunfos que Lorenzo de Medicis e Rabelais ilustrariam, cada qual por sua vez.

Esta genealogia espiritual era tão familiar a Orff que ele concebeu Carmina Burana como apenas o primeiro elemento de uma trilogia intitulada Trionfi-Trittico Teatrale, que incluiria Catulli Carmina (1943) e Trionfi dell’Afrodite (1952), uma obra que revelou a significação do todo: só o Desejo e o Amor podem capacitar o Homem a viver, lutar e crer.

Oh, fortuna,
Variável
Como a lua,
Sempre cresces
Ou minguas;


Detestável
Ora frustra
Ora satisfaz
Com zombaria os desejos da mente,
À pobreza
E ao poder
Dissolve como se fossem gelo.

Sorte monstruosa
E vã,
Tu, roda a girar,
A aflição
E o vão bem-estar
Sempre se dissolvem
Tenebrosa
E velada
Atacas-me também;


Agora por teu capricho
Costas nuas
Trago sob teu ataque.
Senhora do bem-estar
E da virtude,
Estás agora contra mim;


Nesta hora
Sem demora
Tocai as cordas;
Pois que a sorte
Esmaga o forte
Chorai todos comigo.

A CANÇÃO DA MEIA-NOITE DE ZARATUSTRA

posted by Marcio Rosa in Libretos

Quarto movimento, para mezzo-soprano e orquestra

Oh, homem! Presta atenção!
O que a mais profunda meia-noite diz?
Eu dormia.
E do mais profundo sonho eu acordei!
Profundo é o mundo!
E ainda mais profundo que o dia tinha pensado!
Oh, homem! Oh, homem!
Profundo, profundo é seu desgosto!
Mais profundo que a dor no coração!
O desgosto grita: segue teu caminho!
Mas toda a alegria busca a eternidade!
A profunda, profunda eternidade!

(trecho de Assim falou Zaratustra, de Nietzsche)

REQUIEM

posted by Marcio Rosa in Libretos

INTROITUS

REQUIEM

Dá-lhes, Senhor, o eterno descanso,
e que a luz perpétua os ilumine, Senhor.
Em Sião cantam dignamente vossos louvores.
Em Jerusalém vos oferecem sacrifício.
Escutai minhas preces, Vós,
a quem se dirigem todos os mortais.
Dá-lhes, Senhor, o eterno descanso
e que a luz perpétua os ilumine.

KYRIE

Senhor, tem piedade.
Cristo, tem piedade.
Senhor, tem piedade.

SECUENTIA

DIES IRAE

Dia de ira será aquele
em que o mundo será reduzido a cinzas,
segundo os oráculos de Davi e da Sibila,

Grande será o temor
quando aparecia o justo Juiz
para pedir contas de tudo o que fizemos!

TUBA MIRUM

A terrível trombeta soará
onde haja mortos
para chamá-los ante o trono.

Morte e natureza ficarão horrorizadas
quando ressuscitarem todos os mortos
para prestar contas ao Juiz.

Vão se abrir os livos
onde consta o que fizemos na vida,
e segundo os quais seremos julgados.

Quando o Juiz se senta
tudo se manifestará, por mais oculto que esteja,
e nada ficará sem seu prêmio ou seu castigo.

Que poderei responder, desgraçado de mim?
A que protetor poderei invocar
quando nem os próprios justos estarão seguros?

REX TREMENDAE

Ó Rei de temível majestade
que nos salvai pela graça vossa,
salvai a mini, fonte de misericórdia!

RECORDARE

Lembrai-os Jesus piedoso,
que sou a causa de vossa vida;
não deixeis que me perca naquele dia.

Buscando-me tivestes que sentar, fatigado,
para redimir-me morrestes na Cruz
Que não seja em vão o vosso esforço!

Justo Juiz dos castigos,
Concedei-me a remissão dos meus pecados
antes de que chegue o dia de prestar contas.

Gemo porque sinto-me culpável,
ruborizo-me por minhas faltas;
suplicante peço-vos, Deus meu, vosso perdão.

Tu que perdoaste Maria Madalena
e escutaste a prece do ladrão
dá-me também esperança de perdão.

Minhas preces não são dignas
mas peço-te, pela tua bondade,
que não me atires ao fogo eterno.

Coloca-me entre as tuas ovelhas
e separa-me das cabras
colocando-me à tua direita.

CONFUTATIS

Atirados os condenados às terríveis chamas,
acolhei-me entre os eleitos,

Suplicante e prosternado rogo-te
com o coração contrito e reduzido a cinzas
que cuides da minha hora derradeira.

LACRIMOSA

Ó dia cheio de lágrimas
em que o homeni ressurgirá das cinzas
para ser julgado por Ti.

Perdoai-lhes, Deus meu. Piedoso Senhor Jesus,
dai-lhes o descanso eterno. Amém.

OFFERTORIUM

DOMINE CHRISTE

Senhor Jesus Cristo, Rei da Glória,
Livrai as almas dos fiéis defuntos;
Livrai-as das penas do inferno
e do lago sem fundo; livrai-as das garras
do leão, para que não sejam confundidas
nos abismos nem precipitadas nas trevas,
Que São Miguel, o Príncipe dos anjos,
os guie até a luz santa:
o que havíeis prometido a Abraão
e a toda a posteridade.

HOSTIAS

Oferecemo-vos, Senhor, orações
e sacrifícios de louvor, recebei-os pelas almas daqueles
que recordamos: fazei que passem da morte à vida.
Hosana nas alturas.

SANCTUS

Santo, Santo, Santo
é o Senhor, Deus das forças celestiais.
Céus e terra estão cheios de vossa glória.
Hosana nas alturas.

BENEDICTUS

Bendito seja o que vem em nome do Senhor.
Hosana nas alturas.

AGNUS DEI

Cordeiro de Deus, que tiras os pecados do mundo,
dá-lhes o descanso.
Cordeiro de Deus, que tiras os pecados do mundo,
dá-lhes o descanso.
Cordeiro de Deus, que tiras os pecados do mundo,
dá-lhes o descanso eterno.

COMMUNIO

Que a luz eterna os ilumine, Senhor:
por toda a eternidade, já que sois piedoso.
Dá-lhes, Senhor, o descanso eterno,
e que a luz perpétua os ilumine.

ODE À ALEGRIA, BEETHOVEN, Ludwig van

posted by Marcio Rosa in Libretos

ODE À ALEGRIA
Movimento final coral

SOLO DE BARÍTONO
Cessemos, ó irmãos, nossos lamentos!
Elevemos aos Céus um canto de alegria!

SOLO DE BARÍTONO, QUARTETO VOCAL E CORO
Alegria, alegria! Filha do Eliseu,
Ébrios de luz adentremos seu templo glorioso.
Tua magia une o que a moda em vão pensa destruir.
Sob tuas amplas asas todos são irmãos.
Se fores capaz de amar, junta-te a nós.
Se não, infeliz, chora teu isolado pranto.
Vinho, beijos e fortes amizades a alegria concede,
que haja alegria para os seres da terra,
alegria haja entre os querubins perto de Deus.

SOLO DE TENOR E CORO
Cruzam os céus astros em fogo.
Alegria vitoriosa vos ilumina

CORO
Que se abracem todos os seres!
Um beijo para o mundo!
Acima das estrelas o Criador nos protege.

QUARTETO VOCAL E CORO
Abraçai-vos, milhões de irmãos!

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