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RITMO, Elementos Musicais

posted by Marcio Rosa in Teoria Musical

Quem nunca batucou em uma mesa, numa caixinha de fósforos ou mesmo no próprio corpo? Esse batuque, tão comum a todos nós, é a prova de que o ritmo é o mais natural dos elementos musicais. O nosso organismo, por exemplo, trabalha de forma ritmada: as batidas do coração, a respiração, as piscadelas dos olhos… enfim, os movimentos do corpo, em grande parte, são exemplos de ritmos básicos.

Até hoje se discute se a música surgiu para acompanhar a dança ou se a dança surgiu pelo estímulo da música. Porém em ambos está presente o ritmo. De qualquer forma, desde muito cedo o homem começou a criar ritmos diferentes para tornar mais atraentes as suas danças. E mais e mais variantes rítmicas foram sendo criadas, e sua complexidade aumentava. Portanto, o ritmo já era algo bastante desenvolvido quando da criação da escrita musical, no século X.

Obviamente, a partitura, quando foi criada, não estava tão desenvolvida quanto o ritmo. Pior ainda: não havia nenhum tipo de notação rítmica no sistema recém-criado. Até meados do século XI, só se compunha canto gregoriano, cujo ritmo era o da prosa, ditado pelo sentido das palavras que os monges entoavam. Assim, não havia mesmo necessidade de se escrever os ritmos.

Apenas a partir de 1200 que surge a barra de compasso. O que hoje parece prosaico, naquela época foi revolução. O simples risquinho permitiu com que os ritmos fossem anotados, independentemente das palavras ou do que mais fosse. As conseqüências disso foram enormes e se expandiram muito além das fronteiras do ritmo.

MÉTRICA MUSICAL
Mas como que as tais barras de compasso funcionam? Antes de vê-las em funcionamento, vamos dar uma olhada nos valores das notas. Valor de uma nota é a sua duração, isto é, o tempo que ela dura. O sistema de durações é baseado na nota inteira, chamada de semibreve. Quando uma música é escrita, o compositor indica qual a duração da semibreve. Essa indicação geralmente não é muito precisa. Mais para frente veremos como isso é feito.

Como sabemos, as barras de compasso dividem a música em unidades chamadas compassos. A mágica está no fato que todos os compassos de uma composição têm a mesma duração. Essa duração é definida logo no início da partitura, em dois números, um sobre o outro, assim:

Cada compasso do ritmo definido acima, 4/4 ou quaternário, comporta 4 semínimas (1/4 de nota). Matematicamente, a notação do ritmo foi obtida por uma operação simples com frações: 4 x 1/4 = 4/4.

Tradicionalmente, a batida do ritmo ocorre na primeira nota do compasso, marcada por um sinal de maior (>):

Poderíamos “traduzir” o compasso acima por UM-dois-três-quatro, UM-dois-três-quatro, etc. Você já ouviu essa cadência antes, certo? É a batida do rock. Outro ritmo conhecido é a da marcha: UM-dois, UM-dois, etc. Musicalmente:

A notação da marcha seria 2/4. A da valsa, também célebre, é 3/4:

Cante UM-dois-três, UM-dois-três e veja se não soa como uma valsa vienense.

VARIAÇÕES RÍTMICAS
Claro que podemos usar outras durações diferentes da semínima. Em um compasso 4/4, por exemplo, pode ser preenchido por apenas uma semibreve, ou por duas mínimas, ou por oito colcheias, ou pelo que durar o mesmo tempo que quatro semínimas. Todos os compassos abaixo estão no mesmo ritmo, 4/4:

Todos são compassos bastante diferentes, certo? Mesmo assim, duram o mesmo que o tradicional UM-dois-três-quatro, sem quebrar o ritmo.

Não apenas dessa maneira podemos fugir um pouco das rígidas limitações da barra de compasso. Como foi visto, geralmente se acentua a primeira nota de cada compasso. Mas isto não é obrigatório. Podemos acentuar a segunda, ou a terceira.

Cansado de simples 2/4 e 3/4? Tente o 5/4 que Tchaikovsky utilizou no segundo movimento da Sinfonia Patética:

Note que não apenas o primeiro tempo é acentuado, como o terceiro. Na verdade, o 5/4 não é um ritmo comum. É a fusão de dois ritmos: 2/4 e 3/4.

POLIRRITMIA
Achou o 5/4 de Tchaikovsky ousado? Saiba que Stravinsky, no século XX, levou a experiência mais adiante. Ele simplesmente mudava de metro todo compasso. Isso quer dizer que ora ele usava 2/4, ora 4/4, depois 3/4, dessa maneira:

Stravinsky não parou por aí. Ele e outros compositores foram ainda mais longe e resolveram fazer com que o acompanhamento de uma peça fosse tocado em um ritmo diferente da linha melódica. Pense em um pianista. Quando ele executa uma obra polirrítmica, sua mão direita toca em 2/4, por exemplo, e a mão esquerda em 3/4, assim:

O importante aqui é que os tempos fortes (as primeiras notas) não coincidem. E formam efeitos rítmicos realmente diferentes, bem distantes da monotonia das valsas de Strauss, do velho e eterno UM-dois-três, UM-dois-três…

ANDAMENTOS
Vimos anteriormente que a nota inteira ou semibreve não tem valor em si, mas que ele é definido pelo compositor na criação da música. É algo arbitrário e que varia bastante - dependendo da peça, a semibreve pode durar 15 ou 2 segundos. O que vai dizer qual a duração da semibreve é o andamento.

O andamento é aquela frase, geralmente em italiano, que dá nome aos movimentos das sinfonias, sonatas, concertos, etc. O nome do nosso próprio site, Allegro, é um andamento. Ele significa, obviamente, “alegre”, e indica que o movimento deve ser executado de forma mais ou menos rápida e leve, sem correrias mas sem lentidões excessivas. A semibreve, então, é definida a critério do intérprete, de acordo com o que ele achar mais apropriado ao sentido da obra.

Há muitos outros nomes, mas eles geralmente são variações destes principais. Como eles estão geralmente em italiano, fica razoavelmente fácil para percebemos seus signficados; menos para Schumann e Bruckner, que anotavam os andamentos em alemão! Aí fica um pouco mais complicado…

INTRODUÇÃO, Elementos Musicais

posted by Marcio Rosa in Teoria Musical

Assim como um bolo tem seus ingredientes, uma peça musical também tem os seus. Em música, costuma-se chamar esses ingredientes de elementos musicais, e existem quatro deles: ritmo, melodia, harmonia e timbre. O ato de compor não é nada mais que a aplicação desses quatro elementos básicos.

Quando o compositor começa a criar sua música, ele tem à sua disposição uma infinidade de caminhos a tomar em cada um desses quatro campos. É isso que faz com que toda peça seja única e exclusiva - a união de seus elementos é sempre diferenciada, por mais que eles, isoladamente, possam ser iguais aos pares de outras peças.

Porém, nem toda música apresenta todos os quatro elementos básicos citados. A música de alguns povos primitivos é apenas rítmica; o canto gregoriano, por sua vez, somente melódico. Da mesma maneira, cada período histórico voltou o foco a um elemento específico. Mas sempre é bom lembrar que, para uma peça ser considerada completa, ela deve ser bem resolvida em todos esses aspectos básicos.

Vamos a eles, pois. Começaremos pelo RITMO, o mais básico e contagiante de todos. Passaremos então pela MELODIA, o que mais nos toca o coração, para chegarmos à HARMONIA, o mais intelectualizado e complexo dos elementos. Por fim, saíremos do papel pautado das partituras e entraremos no mundo sonoro do TIMBRE. Pronto? Então aperte os cintos e boa viagem!

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